História de Ó / Histoire D´O / Story of O
     

Comentário do W: 

Em minha opinião (autor W), este é um importante marco literário da ficção S&M no século XX, por ter sido escrito por uma mulher, descrever um relacionamento consensual e por sintetizar grande parte do imáginário de fantasias ligadas ao SM. Descrito dentro de um contexto moderno, retirando-se o que não agrada à um ou outro, tem inspirado a realização possivel de fantasias num Relacionamento D/s (Dominação / Submissão). Com exceção do excessivo voyerismo do personagem René (pois me identifico mais com Sir Stephen), o livro me agradou bastante.

Sobre o livro:

Histoire d'O (English title: Story of O ) é um romance sadomasoquista escrito pela autora francesa Pauline Réage, cuja identidade foi revelada poucos anos antes de sua morte como sendo Anne Desclos (1907-1998), que também escreveu sob o pseudônimo de Dominique Aury.

Publicado em 1954, é uma fantasia de submissão feminina sobre uma fotógrafa de moda parisiense que se submete às vontades de seu amante. É vendada, acorrentada, chicoteada, marcada, exposta publicamente usando uma máscara, e ensinada a estar constantemente disponivel para sexo oral, vaginal e anal. Em Fevereiro de 1955 ganhou o prémio frances Prix des Deux Magots, e isto não evitou que autoridades francesas acusassem a editora por obscenidade. As acusações foram rejeitadas pela corte, mas foi imposta uma proibição de publicidade e divulgação do livro for alguns anos.

A primeira edição inglesa foi publicada em 1965. Eliot Fremont-Smith (do The New York Times) chamou a publicação de "evento significante". Uma sequencia, "Retorno à Roissy" (também traduzida como "Retorno ao Chateau"), foi publicada em 1967.

Uma das interpretações do romance pode ser vista como a extrema objetificação de uma mulher. A heorina do livro tem o mais curto nome possivel, consistindo somente da letra Ó. Embora esta seja a abreviatura de Odile, pode ser também "objeto" ou "orifício", ou um Ó sendo a representação simbolica de qualquer orifício.

O livro tem sido fonte de varios termos que são usados na cultura BDSM como SAMOIS, o nome da propriedade que pertence à personagem Anne-Marie, que marcou Ó.

Um filme, A Estória de Ó, foi feito em 1975 dirigido por Just Jaeckin, estrelando Corinne Clery.  (mesmo diretor de Barbarela, com Jane Fonda). O filme encontrou menos aplauso que o livro. Foi proibido no Reino Unido (U.K.) pelo Bureau Britânico de Censores de Filmes até Fevereiro de 2000.

Um minisérie Brasileira, com dez episódios, estrelando Claudia Cepeda foi feita em 1992 dirigida por Eric Rochat, que foi o produtor do filme original de 1975.

 

Quem é Pauline Réage?

Pauline Réage (September 23, 1907 - April 27, 1998) pseudônimo de Anne Desclos, autora Francesa.

Nascida como Anne Desclos em Rochefort-sur-Mer, Charente-Maritime, França, vinda de uma familia que falava Inglês e Frances, começou a ler em ambos as linguas muito cedo. Após completar estudos na Sorbonne, trabalhou com jornalista até 1946, quando juntou-se à Gallimard Editora como secretária de editorial para uma suas de suas marcas usando o pseudônimo de Dominique Aury.

Ávida leitora de Literatura Inglesa e Norte-Americana, traduziu e introduziu na França renomados autores como Algernon Charles Swinburne, Evelyn Waugh, Virginia Woolf, T. S. Eliot, F. Scott Fitzgerald e numerosos outros. Tornou-se uma crítica altamente respeitada e foi membro de juri de varios importantes premios literários.

Seu amante e empregador, Jean Paulhan, tinha feito um comentário chauvinista aludindo que nenhuma mulher seria capaz de escrever um romance erótico. Para provar o contrário ela escreveu um romance sadomasoquista com descrições explicítas de cenas de sexo, que foi publicado sob o pseudonimo de "Pauline Réage" in June of 1954. Intitulado Histoire d'O (Estória de Ó /The Story of O), provou a Paulhan estar errado e foi um grande, embora polémico, sucesso comercial. O livro causou muito especulação quanto à identidade da autora. Ninguém surpeitava que fosse uma mulher discreta e comportada, intelectual e quase púdica, Dominique Aury.

Além do mais, o conteúdo explícito e detalhado do livro espalhou tanta polémica que em Março subsequente autoridades governamentais fizeram acusações de obscenidade contra a editora e a misteriosa autora que foram rejeitadas em corte em 1959. Entretanto o juiz proibiu a publicidade do livro e venda à menores de idade. Seguindo-se à suspensão da proibição de publicidade do livro em 1967, ela publicou a finalização da Estória de Ó / The Story of O sobe o título de "Retorno à Roissy" novamente usando o pseudonimo de Pauline Réage.

Em 1957, ela deu uma entrevista com Régine Deforges, autora e editora, à respeito de livros eróticos, mas a autoria deles não foi revelada. Quarenta anos depois que o livro foi publicado, em uma entrevista à revista The New Yorker, Dominique Aury admitiu pela primeira vez publicamente que era a autora de Estória de Ó.

Anne Desclos morreu em Corbeil-Essonnes, Île-de-France


Trecho I - Selecionado do Livro
Ó é levada nua, descalça, vendada e puxada pela coleira para uma cela medieval
 

...Pierre (criado do castelo e encarregado do encarceramento de Ó) esperou que ela tomasse seu banho e que se maquilasse. E, quando Ó foi buscar seus chinelos e sua capa vermelha, interrompeu-a, e amarrando suas mãos às costas, mandou-a esperar um pouco. Ó sentou-se na beira da cama. 

...Quando voltou, Pierre trazia nas mãos a mesma venda com que tinham tapado seus olhos na primeira noite. Trazia, também, uma longa corrente barulhenta, semelhante à da parede. Parecia que hesitava entre pôr-lhe primeiro a corrente, ou a venda. Indiferente ao que se fizesse com ela, Ó olhava a chuva (pela janela)....

Pierre colocara a corrente sobre a cama e, sem perturbar os sonhos de O, punha sobre seus olhos a venda de veludo negro...

Bendita noite, semelhante à sua própria noite, jamais a tinha acolhido com tanta alegria, benditas correntes que a arrancavam de si mesma! Pierre prendeu a corrente no anel de sua grossa coleira e pediu-lhe que o acompanhasse. Ó levantou-se, sentiu que era empurrada para a frente, e caminhou. Seus pés descalços ficaram gelados no ladrilho e compreendeu que seguia o corredor da ala vermelha; depois o chão, sempre frio, tornou-se áspero: caminhava sobre um pavimento de pedra, cerâmica ou granito. Por duas vezes o criado a fez parar: escutou o ruído de uma chave girando numa fechadura que foi aberta e depois novamente trancada. "Cuidado com os degraus", disse Pierre. Começou a descer uma escada....

Tremendo de frio, descera finalmente os últimos degraus, quando ouviu que mais uma porta se abria e, assim que passou por ela, sentiu sob os pés um tapete espesso. Mais uma vez a corrente foi esticada e, em seguida, as mãos de Pierre desamarraram suas mãos e tiraram sua venda. Encontrava-se num compartimento redondo e abobadado, muito pequeno e baixo; as paredes e a abóbada eram de pedra e viam-se as juntas de alvenaria. A corrente que estava presa ao seu colar, ficara presa também à uma argola fixada a um metro de altura do chão, na parede de frente para a porta, e só lhe permitia dar dois passos para a frente. Não havia cama, nem algo que pudesse ser usado como tal, nem coberta, apenas três ou quatro almofadas marroquinas, mas fora de seu alcance, e que não lhe eram destinadas. Entretanto, ao seu alcance, num nicho de onde partia o pouco de luz que iluminava a peça, encontrava-se uma bandeja de madeira com água, frutas e pão...

....Pierre, ou qualquer outro criado, indiferentemente, vinha pôr água, frutas e pão na bandeja quando faltava, e levá-la para banhar-se num cômodo ao lado. Ó nunca via os homens que entravam, pois todas as vezes um criado vinha antes para vendar seus olhos e só retirava a venda quando tinham saído. Ó também perdeu a conta de  quantos foram, e suas doces mãos e seus lábios acariciando às cegas jamais souberam reconhecer à quem estavam tocando. Às vezes eram muitos, mas na maioria das vezes vinham sozinhos, mas todas as vezes, antes de se aproximarem, era posta de joelhos diante da parede, com o anel do seu colar pendurado na mesma argola onde já se encontrava fixada a corrente, e chicoteada. Colocava então as palmas das mãos contra a parede, apoiando nelas o rosto para não arranhá-lo na pedra; mas mesmo assim ainda escoriava os joelhos e os seios. Também perdeu a conta dos suplícios e dos gritos que a abóbada abafava.


Trecho I I - Selecionado do Livro

Ó é treinada para ficar duplamente disponivel 


Ilustração de Guido Crepax
Ó é vendada e preparada para ser sodomizada.
A cena se passa em uma sala, onde além de René (amante de Ó) estão outras pessoas, inclusive 2 homens, sendo que ambos já haviam feito sexo com Ó no dia anterior como na ilustração ao lado.

Ó, trouxe para René (seu Dono e amante), um copo de uísque que ele bebeu sem tirar os olhos de dela.
Então um dos presentes disse: "É sua escrava?"
"Sim", respondeu René.
"Jacques tem razão", continuou o outro, "Ela é muito estreita, precisamos alargá-la". (Referindo-se à dificuldade que teve para penetrar Ó, quando este a penetrara em seu delicado orifício entre as nádegas)
"Mas sem alarga-la demais, somente o suficiente!", disse Jacques.
"Sintam-se à vontade para treina-la", replicou René.

E durante os próximos oito dias, sempre ao final do tarde quando terminava seu serviço na biblioteca e até por volta das 10 da noite, quando então era trazida acorrentada e nua sob sua capa vermelha, Ó usaria um cilindro de borracha que imitava um penis em seu orifício mais íntimo, e que seria fixado no centro de suas nádegas por três correntinhas presas a um cinto de couro que rodeava seus quadris, para que o movimento interno dos músculos não o expelisse. Uma dessas pequenas correntes acompanharia o sulco das nádegas, e as outras duas o interior das coxas, dos dois lados do triângulo do ventre, a fim de não impedirem a penetração pela frente sempre que se quisesse.

René tocou uma campainha para mandar trazer uma pequena caixa onde num dos compartimentos havia uma provisão de correntinhas e de cintos e no outro uma variedade destes cilindros (consolos) que iam dos mais finos aos mais grossos.

Todos eles alargavam-se na base para assegurar que não subiriam para o interior do corpo, o que arriscaria deixar-se fechar novamente o pequeno e intímo orífico entre as nádegas que deviam forçar e distender. Ó ficou assim, aberta, e cada vez mais, pois todos os dias Jacques ordenava que a pusessem de joelhos com a face ao chão, para que Jeanne, Monique ou qualquer outra que estivesse por perto, fixassem o cilindro que tinha escolhido, e escolhia  sempre o mais grosso do que o usado no dia anterior (mas nunca mais grosso que a maior grossura de um pénis). Durante a refeição da noite, junto com outras moças, no refeitório para onde iam depois do banho, nuas e maquiadas, Ó ainda o usava, e pelas correntes e pelo cinto, todos podiam notar claramente que o usava. Só Jacques o retirava, no momento em que Pierre vinha  acorrentá-la, na parede, para passar a noite quando ninguém vinha solicitá-la, ou com as mãos às costas quando a conduziam à biblioteca. Foram raras as noites em que ninguém apareceu para utilizar este caminho de seu intimo orífico que em pouco tempo tinha se tornado tão fácil, embora continuasse mais estreito do que o outro da frente. Depois de oito dias não foi mais necessário e seu amante veio dizer-lhe que se sentia feliz por encontrá-la duplamente aberta e que cuidaria para que permanecesse assim.

 

Cenas do Filme de 1975, com Corinne Clery
  

As marcas nas nádegas não estão na foto orignal, mas coloquei-as da forma como foram descritas no livro. 
À esquerda o anel de escrava e abaixo o pircing vaginal, que no livro é bem maior / Montagem das fotos do W.
 

Quem quizer baixar o livro: A História de O no formato word: http://www.seuprazer.net/a-historia-de-o.doc

Quem quizer ler em PDF: http://www.seuprazer.net/a-historia-de-o.pdf


Filme Story of O - 1975
A atriz Corinne Clery é muito bonita e deu vida à personagem.
Mas a história no livro é mais impactante, pois no filme, alguns detalhes foram suavizados.


Histoire D'O
Primeira Edição - 1954


(Filme - 1975)


Corinne Clery
Filme Story of O - 1975
 

Corinne Clery
Filme Story of O - 1975


Anel
   
Versão do Filme Versão do Livro

Os Piercings & O Triskelion

No livro são descritos os "Piercings" genitais que Ó passara a usar, sendo que em um deles era presa uma placa com a marca de um Triskelion de um lado e as iniciais de Sir Stephen do outro. 



Aqui, eu (autor do site)  criei em computador estes anéis o mais próximo possivel da  descrição do livro. 


Formato de dois elos de corrente, e o metal da grossura de um lápis! A placa circular de tamanho aproximado do elo. Na versão mostrada no cinema, os anéis em formas de elo de correntes e a placa de metal dependurada foram suavizados e diminuidos.


Triskelion

Triskelion

Na verdade, quanto ao simbolo do Triskelion (um simbolo da antiquidade), existem várias versões, sendo que fiz um modelo com cada uma das versões mais conhecidas.
O Triskelion foi associado ao S&M no Livro  Histoire D'O, e posteriormente foi ligeiramente modicado, e alguns adotam como simbolo do BDSM. 
A versão modificada com 3 pontos no interior de cada área que divide o círculo foi inclusive patenteada por um norte-americano.
Muitos preferem usar os dois simbolos acima ao invés da versão patenteada.
Na verdade, o Triskelion é um simbolo muito antigo, e existem pessoas que o usam e não teem absolutamente correlação alguma com Bdsm, e sim com outro significado.


Acima a versão patenteada. De acordo com o proprietário da marca, ela pode ser usada sem restrições, desde que para fins não comerciais!
Mais informações no site:
http://members.aol.com/quagmyr/emblem.htm




Desenhos de Ó na cela medieval e   
Ó sendo "treinada" 
são parte da Histório de Ó contada em Quadrinhos do artista Guido Crepax